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Pesquisa em acervo histórico revela detalhes inéditos da construção do quartel da Polícia Militar em Canoinhas

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O trabalho de resgate histórico desenvolvido pelo 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) continua revelando importantes capítulos da trajetória da corporação em Canoinhas. Além das entrevistas com veteranos da unidade, a equipe responsável pela pesquisa vem realizando consultas em acervos documentais históricos em busca de registros, fotografias e notícias relacionadas à história do batalhão.

Entre os materiais analisados está a coleção do jornal Barriga Verde, que começou a circular em 1937 e acompanhou por décadas a vida social e política da região. Atualmente, o acervo pertence à Dra. Adair Dittrich, integrante da Academia de Letras de Canoinhas, que disponibilizou o material para consulta nos dias 20 de maio e 3 de junho deste ano.

A pesquisa foi conduzida pelo capitão Diego Gudas e pelos aspirantes Caroline Andressa Golanowski Lopes e Allan Kelvin Moraes Jungles, com o acompanhamento da fotógrafa e memorialista Fátima Santos.

Durante as consultas, a equipe encontrou diversas referências à construção do quartel da Polícia Militar, permitindo reconstruir momentos importantes do processo que resultou na inauguração da sede da então 3ª Companhia Isolada, em 1952.

Os registros mais antigos localizados datam de janeiro de 1945. Na ocasião, o então governador de Santa Catarina, Nereu Ramos, visitou o terreno onde seria erguido o quartel, no prolongamento da Rua Vidal Ramos. Meses depois, em abril, o tenente Renê Vergès foi designado delegado de polícia de Canoinhas e assumiu também a responsabilidade pela condução das obras.

Ainda em 1945, o jornal registrou a visita do comandante-geral da corporação, tenente-coronel Cantídio Quintino Régis, que acompanhou de perto o andamento da construção da futura sede policial. Em setembro daquele ano, o Barriga Verde já destacava o avanço das obras, classificando o empreendimento como um “majestoso quartel”.

As pesquisas também revelaram que a unidade inicialmente era denominada 1ª Companhia Isolada. Posteriormente, a nomenclatura foi alterada para 3ª Companhia Isolada, nome que permaneceu até a inauguração oficial do prédio.

Um dos documentos mais relevantes encontrados foi um edital de concorrência pública publicado em junho de 1946 para aquisição dos materiais utilizados na construção. O documento detalha a compra de milhares de peças de madeira, incluindo 1.500 tábuas para forro, mais de 2.500 tábuas para assoalho, além de portas, janelas, vigas, caibros e outros itens necessários para a obra.

O edital foi assinado pelo subtenente Pedro Nogueira de Castro, responsável pela construção naquele período.

Os registros também mostram que as obras se estenderam por vários anos e foram acompanhadas regularmente por autoridades da Polícia Militar. Em junho de 1947, por exemplo, o major Antônio de Lara Ribas esteve em Canoinhas para uma inspeção. O oficial já havia atuado como delegado de polícia no município e, segundo o jornal da época, recebeu diversas manifestações de apreço durante sua permanência na cidade.

O levantamento histórico segue em andamento e busca preservar a memória institucional do 3º BPM, resgatando fatos que marcaram a presença da Polícia Militar na região ao longo das últimas décadas.

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Mauricio Samp

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