O empresário José Clemir Spinelli, de 54 anos, foi preso na manhã desta terça-feira (7) durante a Operação “Pão e Circo”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina.
Dono da Spinelli Produções, empresa vencedora de diversas licitações para a realização de shows, principalmente em municípios do interior catarinense, Spinelli foi preso em Itapema, no Litoral Norte do estado. Nas redes sociais, o empresário costumava publicar fotos ao lado de artistas de renome nacional, como Israel & Rodolffo, João Neto & Frederico e Luan Pereira, além de compartilhar registros de viagens internacionais e momentos em família.
Em 2022, José Clemir Spinelli também disputou uma vaga para deputado federal por Santa Catarina pelo PSB, mas não foi eleito.
De acordo com o Ministério Público, o empresário é um dos investigados por supostamente integrar um cartel formado por empresários do setor de eventos, que teria fraudado licitações públicas para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de contratação de shows com artistas de destaque nacional.
A investigação aponta ainda suspeitas de pagamento e recebimento de propina para favorecer o esquema, além da prática de lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos por meio das irregularidades.
O Ministério Público ressalta, no entanto, que a investigação não envolve os artistas que aparecem nas publicações do empresário. As apurações estão relacionadas exclusivamente aos processos licitatórios para contratação de eventos públicos, e não às apresentações realizadas pelos cantores.
A Operação “Pão e Circo” cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, além de um mandado de prisão preventiva. No Planalto Norte catarinense, as diligências ocorreram em Canoinhas, Itaiópolis, Mafra, São Bento do Sul e Três Barras.
Além da prisão, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. Também foram impostas medidas cautelares, como afastamento de agentes públicos de suas funções, proibição de contratar com o poder público, restrições de acesso a repartições municipais e impedimento de contato entre investigados e testemunhas.
Os materiais apreendidos durante a operação serão encaminhados para perícia pela Polícia Científica. A investigação segue sob sigilo, e novas informações deverão ser divulgadas conforme autorização judicial.