O oceano Pacífico registra atualmente anomalia de temperatura de 1,8°C, colocando o fenômeno El Niño na categoria forte e próximo da classificação de muito forte, segundo os critérios utilizados pela NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento oceânico e atmosférico.Ver este vídeo no Instagram
Apesar da intensidade, a Defesa Civil de Santa Catarina alerta que um El Niño mais forte não significa, necessariamente, que o Estado terá eventos extremos de maior intensidade. O órgão mantém acompanhamento contínuo do fenômeno e de outros fatores que influenciam as condições meteorológicas.
A intensidade do El Niño é classificada a partir da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. O fenômeno é considerado formado quando a anomalia permanece em pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos.
Pela classificação tradicional, anomalias entre 0,5°C e 0,9°C correspondem a um El Niño fraco; entre 1,0°C e 1,4°C, moderado; de 1,5°C a 1,9°C, forte; e acima de 2,0°C, muito forte.
Intensidade não significa desastre
O gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico de Moraes Rudorff, explica que a intensidade do fenômeno não determina sozinha a ocorrência de grandes desastres.
Segundo ele, as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño moderado e foram mais intensas do que eventos registrados em 2015, quando o fenômeno apresentou uma das maiores intensidades já observadas.
Rudorff também lembra que eventos severos podem ocorrer durante a atuação do fenômeno oposto, o La Niña, citando os desastres de 2008, as enchentes do Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
Por isso, a Defesa Civil monitora não apenas o El Niño, mas também outros indicadores atmosféricos, como a oscilação Madden-Julian, que pode influenciar o transporte de umidade e a formação de sistemas de chuva.
Primavera de 2026 é período de atenção
Historicamente, os efeitos do El Niño são mais percebidos em Santa Catarina durante as estações de transição, principalmente na primavera e no outono.
De acordo com Rudorff, a primavera de 2026 e o outono de 2027 são considerados os dois períodos que exigem maior atenção.
Isso ocorre porque, durante essas estações, há uma intensificação do transporte de umidade, com maior canalização de umidade da Amazônia em direção a Santa Catarina.
No verão, esse fluxo tende a se direcionar mais para o Sudeste, reduzindo a influência direta sobre o Estado.
Oceanos mais quentes aumentam disponibilidade de umidade
Outro fator que preocupa os meteorologistas é o aumento da temperatura global dos oceanos.
Conforme a Defesa Civil, com uma maior quantidade de calor e umidade disponível, há mais combustível para a formação de tempestades e chuvas intensas. O Oceano Atlântico, por estar mais próximo de Santa Catarina, também exerce influência importante.
A NOAA passou a utilizar um índice relativo, chamado Relative Oceanic Niño Index (Roni), para permitir comparações mais adequadas entre eventos atuais e fenômenos registrados no passado, considerando que a temperatura média dos oceanos também aumentou ao longo das décadas.
Possibilidade de temporais, tornados e ciclones
A maior disponibilidade de umidade e instabilidade atmosférica pode favorecer um aumento na ocorrência de eventos severos, como microexplosões e tornados.
Isso, entretanto, não significa que necessariamente serão registrados eventos mais intensos.
A Defesa Civil cita como exemplo o tornado de categoria F4 registrado no Paraná no ano passado, quando o país estava sob influência do La Niña.
Defesa Civil reforça orientações
Diante da possibilidade de períodos mais chuvosos e de eventos severos, a população é orientada a adotar medidas de prevenção.
Entre as principais recomendações estão:
- Conhecer se a residência está localizada em área de risco ou de inundação;
- Identificar o abrigo mais próximo;
- Cadastrar o celular para receber os alertas da Defesa Civil, enviando o CEP por SMS para o número 40199;
- Durante temporais, procurar um local seguro e manter distância de árvores e postes;
- Evitar transitar por ruas alagadas ou pontes submersas;
- Observar sinais de risco de deslizamento, como rachaduras em paredes ou muros, postes inclinados e água barrenta saindo de barrancos.
Em caso de risco iminente de deslizamento, a orientação é deixar imediatamente o imóvel e acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A recomendação é que a população acompanhe os alertas oficiais e esteja preparada, mas sem associar automaticamente a presença de um El Niño forte à ocorrência de uma grande enchente ou desastre.