A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu um pedido formal para a reativação da ferrovia entre Mafra e Caçador, em Santa Catarina. O trecho possui 368 quilômetros de extensão e integra a antiga linha férrea entre Mafra e Marcelino Ramos (RS), que está sem operação regular desde a década de 1990, embora alguns segmentos ainda sejam utilizados para passeios turísticos.
A solicitação foi apresentada pelo Consórcio de Desenvolvimento Econômico do Planalto Norte (Codeplan), formado pelos municípios de Bela Vista do Toldo, Canoinhas, Irineópolis, Itaiópolis, Mafra, Major Vieira, Monte Castelo, Papanduva, Porto União e Três Barras.
O projeto é baseado no Marco Legal das Ferrovias e prevê a retomada da operação por meio do modelo de autorização ferroviária, com exploração através de uma parceria público-privada (PPP). Pela proposta, o Governo de Santa Catarina deverá solicitar a outorga da ferrovia, enquanto a estruturação da PPP será realizada posteriormente.
O pedido foi protocolado na semana passada e está em fase de análise técnica pela ANTT.
Segundo o Codeplan, a proposta utiliza o conceito de “ferrovia enxuta”, que busca reaproveitar a infraestrutura existente e evitar obras de grande porte. O traçado atual seria mantido, sem a construção de variantes, o que reduziria significativamente os custos do projeto.
Entre os investimentos previstos está a implantação de um terminal de cargas (porto seco), considerado estratégico para impulsionar a logística regional.
A primeira etapa solicitada à ANTT é a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). O levantamento deverá apontar o custo e o prazo para a reativação da ferrovia, o tipo de trem mais adequado para a operação, a estimativa de volume de cargas e outros aspectos necessários para avaliar a viabilidade do empreendimento.
Além da retomada do transporte ferroviário de cargas, o consórcio também propõe o aproveitamento das antigas estações ferroviárias de cidades como Mafra, Porto União, Irineópolis, Canoinhas e Três Barras em roteiros de turismo ferroviário, valorizando o patrimônio histórico da região.
A linha integra a chamada Ferrovia do Contestado, cuja construção, no início do século XX, esteve entre os fatores que deram origem à Guerra do Contestado (1912–1916), um dos conflitos sociais mais importantes da história do Sul do Brasil.
O trecho entre Mafra e Marcelino Ramos, com cerca de 620 quilômetros, não está incluído nos futuros lotes da concessão da Malha Sul, previstos para leilão em 2027.
Atualmente, a única ligação ferroviária em operação na região é o trecho entre Mafra e São Francisco do Sul, previsto no Corredor PR-SC. Já o ramal entre Mafra e Lages, com 293 quilômetros e atualmente desativado, deverá integrar o chamado Corredor Mercosul.
Fonte: NSC Total