Por Chica do Eskudlark – Primeira prefeita de Salete e pré-candidata a deputada estadual
Sempre que encontro uma mulher que construiu sua história com trabalho, dedicação e coragem, gosto de ouvir o que ela tem para contar.
Elas falam pouco de si, mas muito da família. Contam dos filhos, da lavoura, das dificuldades que enfrentaram. Muitas acordavam antes do amanhecer para tirar leite, cuidar dos animais, preparar a comida e, quando o dia terminava, ainda havia roupa para lavar, casa para organizar e alguém precisando de cuidado.
É impossível não sentir admiração. Essas mulheres talvez nunca tenham ocupado cargos importantes ou recebido homenagens, mas foram elas que sustentaram suas famílias e ajudaram a construir a história do Alto Vale.
A minha própria história nasceu nesse ambiente. Também comecei a trabalhar muito cedo. Sei o valor do esforço, da simplicidade e da coragem de quem nunca teve a vida fácil. Talvez por isso eu tenha tanto respeito por essas mulheres. Porque, de alguma forma, também carrego um pouco da história de cada uma delas.
Muitas não puderam estudar. Outras nunca tiveram a oportunidade de escolher uma profissão ou de sonhar mais alto. Não porque lhes faltasse capacidade, mas porque o tempo em que viveram oferecia poucas oportunidades. Ainda assim, nunca deixaram de fazer o melhor que podiam.
Graças ao esforço dessa geração, muita coisa mudou. Hoje vemos mulheres administrando propriedades rurais, comandando empresas, atuando na saúde, na educação, na segurança pública e também na política. Mulheres que continuam cuidando de suas famílias, mas que conquistaram o direito de escolher seus próprios caminhos.
Nenhuma dessas conquistas aconteceu por acaso. Cada porta que hoje está aberta foi empurrada por alguém que veio antes. Por uma mãe que fez sacrifícios pelos filhos. Por uma avó que trabalhou a vida inteira sem reclamar. Por mulheres que talvez nunca tenham imaginado que um dia outras poderiam chegar tão longe.
Quando fui eleita a primeira prefeita da história de Salete, senti que aquela vitória não era apenas minha. Era de todas as mulheres que acreditaram que era possível transformar a realidade com trabalho, coragem e dedicação.
E, se Deus permitir que eu represente nossa região na Assembleia Legislativa, poderei ser a primeira mulher do Alto Vale a ocupar esse espaço.
Mas confesso que o que mais me emociona não é ser a primeira. O que realmente importa é que eu não seja a última. Que, daqui a alguns anos, isso deixe de ser notícia. Que seja natural ver mulheres ocupando espaços de liderança, tomando decisões e ajudando a construir o futuro de Santa Catarina.
Quero que cada jovem que hoje está na escola saiba que pode sonhar. Quero que cada mulher que trabalha, empreende, cuida da família e enfrenta desafios todos os dias saiba que ela também pertence aos lugares onde as decisões são tomadas.
Porque, antes de ocupar espaços, foi preciso abrir caminhos.
E agora cabe à nossa geração fazer o mesmo: honrar as mulheres que vieram antes de nós e deixar caminhos ainda mais largos para aquelas que virão depois.
Essa talvez seja a maior homenagem que podemos prestar às mulheres que construíram nossa história: fazer com que o esforço delas continue produzindo oportunidades, esperança e transformação para as próximas gerações.