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Enchente de 1927 marcou a história de Santa Catarina e deu início ao debate sobre barragens no Vale do Itajaí

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As enchentes fazem parte da história do Vale do Itajaí desde a colonização da região. De acordo com estudos históricos, fatores naturais da bacia hidrográfica, aliados à ocupação urbana desordenada ao longo das décadas, contribuíram para transformar as cheias em um dos maiores desafios enfrentados pelos municípios do vale.

O relevo da região faz com que as águas escoem rapidamente no alto curso dos rios, mas encontrem baixa declividade a partir de Blumenau, reduzindo a velocidade do fluxo e favorecendo o transbordamento do Rio Itajaí-Açu e de seus afluentes.

Entre 1850 e 2002, foram registradas 66 grandes enchentes em Blumenau. Desse total, 11 ocorreram até 1900, outras 20 entre 1901 e 1950 e mais 38 nos 50 anos seguintes, demonstrando que os eventos extremos se tornaram cada vez mais frequentes.

A cada grande enchente, surgiam novas discussões sobre soluções para reduzir os impactos das cheias. Após as inundações de 1880 e 1911, os debates se intensificaram, mas foi a histórica enchente de 1927 que marcou definitivamente o planejamento de obras de proteção para a região.

Na época, especialistas discutiram duas alternativas: construir barragens para reter parte da água ou realizar obras para acelerar o escoamento do Rio Itajaí. O relatório do engenheiro Emil Odebrecht concluiu que a construção de barragens não seria a melhor solução naquele momento e recomendou intervenções para encurtar o percurso do rio por meio de cortes em seus meandros.

Entretanto, novas enchentes continuaram castigando o Vale do Itajaí. O evento de 1957, quando o rio atingiu 13,07 metros, mudou novamente o rumo das discussões. O então Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) elaborou um plano de proteção contra enchentes que previa a construção de três grandes barragens de contenção.

Foi desse planejamento que nasceram as barragens de Taió (1973), Ituporanga (1976) e José Boiteux (1992), estruturas que até hoje desempenham papel estratégico no controle das cheias do Vale do Itajaí.

Mesmo após a implantação das barragens, grandes enchentes continuaram ocorrendo, como as de 1983, 1984, 2008 e 2011, levando especialistas a concluir que apenas obras estruturais não seriam suficientes. A partir da década de 1980, passaram a ganhar força ações voltadas ao planejamento urbano, monitoramento hidrológico, fortalecimento da Defesa Civil e educação da população para convivência com os eventos extremos.

Segundo pesquisadores, a combinação entre características naturais da bacia, urbanização acelerada, impermeabilização do solo e ocupação de áreas sujeitas a inundações continua sendo um dos principais fatores que explicam a recorrência das enchentes no Vale do Itajaí.

 

Fonte: KREUTZFELD, Jonathan. O Ribeirão da Velha (Blumenau, SC): A Ocorrência de Eventos Hidrológicos e a Urbanização. Dissertação de Mestrado. MPPT/UDESC. Florianópolis, 2012.

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Jeferson Kniess

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