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El Niño atinge intensidade recorde para outubro e pode se fortalecer ainda mais

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O El Niño de 2026 registra uma intensidade sem precedentes para o início de outubro, conforme dados históricos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados pela MetSul Meteorologia. O fenômeno segue em intensificação no Oceano Pacífico e pode atingir seu pico entre novembro e dezembro, aumentando a preocupação com os impactos climáticos nos próximos meses.

Segundo análise publicada pela MetSul nesta terça-feira (13), a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, chegou a +3,3°C, conforme o índice tradicional ONI. Pelo índice relativo RONI, o valor foi de +2,4°C. As medições apontam um episódio de El Niño muito forte, também conhecido popularmente como Super El Niño.

A comparação com eventos anteriores evidencia a dimensão do aquecimento atual. No início de outubro, a anomalia registrada pelo índice ONI foi de +2,0°C nos episódios de 1982-1983 e 1997-1998, +2,1°C em 2015-2016 e +1,5°C em 2023-2024. Em 2026, o valor chegou a +3,3°C.

Pico pode ocorrer no fim do ano

Os modelos meteorológicos analisados pela MetSul indicam que o fenômeno pode continuar ganhando força ao longo de outubro. A maioria das projeções aponta que o pico ocorrerá em novembro ou dezembro, com anomalias entre 3,5°C e 4°C. Alguns modelos indicam a possibilidade de valores ainda maiores.

Para o Sul do Brasil, o El Niño exige atenção devido à possibilidade de chuvas acima da média e à maior frequência de temporais. O cenário também reforça a importância do acompanhamento das previsões meteorológicas e dos alertas emitidos pelos órgãos oficiais de monitoramento e Defesa Civil.

O Painel El Niño, elaborado por instituições federais, já indicou em seu boletim de setembro a perspectiva de chuvas acima da média em áreas da Região Sul no trimestre de outubro a dezembro de 2026.

Intensidade não determina sozinha o tamanho das enchentes

Apesar dos números históricos, a intensidade do El Niño não significa, automaticamente, que todas as regiões terão impactos maiores do que em episódios anteriores. A distribuição das chuvas depende também da circulação atmosférica, dos ventos, das condições dos oceanos e da interação com outros padrões climáticos.

No Alto Vale do Itajaí, onde enchentes históricas provocaram prejuízos e deixaram marcas profundas, o fortalecimento do fenômeno aumenta a importância da prevenção, do monitoramento dos rios, da manutenção das estruturas de contenção e da preparação das comunidades para possíveis eventos extremos.

A evolução do El Niño ao longo da primavera e do verão será determinante para avaliar os riscos regionais. A ocorrência de chuvas intensas, porém, não pode ser prevista apenas com base na temperatura do Pacífico, sendo necessário acompanhar as atualizações meteorológicas e hidrológicas.

 

Fonte: MetSul Meteorologia e Painel El Niño, com informações da NOAA e de instituições federais brasileiras.

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Jeferson Kniess

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