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SANTA CATARINA

Alesc debate possíveis impactos de um novo El Niño em Santa Catarina e especialistas alertam para risco de eventos extremos

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A possível atuação de um novo fenômeno El Niño em 2026 e os impactos previstos para Santa Catarina foram tema de debate promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta segunda-feira (18).

A reunião ampliada foi convocada pelo presidente da comissão, deputado Marquito (Psol), e reuniu meteorologistas, pesquisadores, universidades, órgãos estaduais e representantes da Defesa Civil para discutir os cenários climáticos projetados para o segundo semestre, além das medidas de prevenção e adaptação diante do aumento do risco de enchentes, temporais e deslizamentos no Estado.

Segundo Marquito, o tema precisa ser tratado como prioridade permanente pelo poder público.

“A nossa intenção, enquanto Parlamento, é contribuir com este importante debate, fundamental para o fortalecimento das ações de prevenção e mitigação frente aos eventos climáticos extremos no Estado”, afirmou.

O parlamentar destacou ainda que a Alesc tem o dever de acompanhar se o Estado está preparado para enfrentar os impactos previstos pelos especialistas.

“Santa Catarina é o estado que mais acende alerta climático extremo no Brasil. Nossa responsabilidade é fiscalizar se o poder público está executando políticas adequadas à realidade científica e, se necessário, avançar em legislações que garantam adaptação climática e proteção da população”, declarou.

Marquito também relembrou as audiências públicas preparatórias para a COP30 realizadas pela comissão em diferentes regiões catarinenses. O resultado dos encontros foi consolidado no relatório “A Terra pede Cuidado”, apresentado na conferência climática em Belém.

Especialistas convidados para o encontro apontaram que o aquecimento acelerado das águas do Oceano Pacífico pode consolidar um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados desde o início das medições modernas.

O professor da UFSC e doutor em Meteorologia, Reinaldo Hass, afirmou que os indicadores atuais preocupam.

“Ele já está formado. Em 1997 e 2015, eventos parecidos apresentavam temperaturas em torno de 6 graus. Agora estamos chegando a 8 graus. Pode ser um super El Niño, talvez algo que nunca vimos”, alertou.

Apesar do cenário preocupante, Hass ressaltou que o fenômeno não significa automaticamente tragédias, mas exige planejamento e preparação da população e dos órgãos públicos.

“O importante é que a sociedade esteja preparada. As pessoas precisam saber o que fazer em caso de enchentes rápidas, deslizamentos ou eventos extremos. A prevenção pode salvar vidas”, destacou.

O meteorologista e engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho também chamou atenção para o aumento da frequência das chuvas e dos riscos acumulados entre julho e novembro.

“O El Niño tende a ser o mais forte da história recente. O problema não é apenas uma grande enchente, mas a repetição constante de episódios de chuva intensa, temporais e deslizamentos”, afirmou.

Segundo Coutinho, Santa Catarina pode ficar no epicentro dos impactos climáticos no Sul do Brasil, com risco elevado de enchentes semelhantes ou até mais severas do que as registradas em 1983.

Durante o encontro, o deputado Matheus Cadorin (Novo) anunciou a realização de uma audiência pública para aprofundar o debate sobre o tema. O evento está marcado para a próxima sexta-feira (22), às 9h, na sede da Alesc.

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Jeferson Kniess

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