Santa Catarina realizou, em outubro, seu primeiro transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial. A operação foi a terceira do tipo no Brasil e permitiu que um paciente de Juiz de Fora (MG) recebesse uma bolsa de sangue com fenótipo Js(b-), considerado muito raro. O material foi entregue no dia 10 de outubro.
A mobilização começou após o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) ser acionado para localizar um doador compatível. O único doador dessa tipagem registrado no estado, residente em Joinville, aceitou realizar a doação no dia seguinte. A equipe priorizou os testes e procedimentos necessários para liberar a bolsa para o transporte aéreo.
A iniciativa foi viabilizada pela atualização de um acordo de cooperação técnica que passou a incluir o transporte de sangue raro em emergências do Sistema Único de Saúde (SUS). Antes da mudança, o material era enviado como carga, o que poderia aumentar o tempo de entrega.
Segundo a diretora-geral do Hemosc, Patrícia Carsten, a agilidade da equipe foi fundamental para garantir o envio do sangue ao paciente. O órgão participa do Projeto Sangue Raro, que integra uma rede nacional de identificação de doadores com características sanguíneas incomuns.
O transporte é realizado em embalagens apropriadas, com controle de temperatura entre 1°C e 10°C, e sem custo para as companhias aéreas comerciais. O primeiro procedimento desse tipo no país ocorreu em 12 de setembro, de São Paulo ao Piauí. O segundo foi realizado em 9 de outubro, do Ceará para Juiz de Fora, em Minas Gerais.