O homem de 23 anos acusado de atacar a ex-companheira com um facão dentro de um supermercado de Rio Negrinho foi condenado a 60 anos, cinco meses e seis dias de reclusão, em regime fechado. O julgamento ocorreu nesta sexta-feira (18), pelo Tribunal do Júri.
O crime aconteceu na tarde de 24 de outubro de 2025. Armado com um facão e duas facas, o acusado foi até o local onde a ex-namorada, Késsia de Souza Veiga, trabalhava, inconformado com o fim do relacionamento.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ao encontrar a vítima, o homem iniciou uma sequência de golpes, atingindo principalmente a cabeça, o pescoço, os braços e as mãos.
Os laudos periciais apontaram que Késsia sofreu múltiplos ferimentos profundos, fraturas cranianas e amputação parcial da mão direita. Posteriormente, foi necessária a amputação cirúrgica do antebraço.
A vítima sobreviveu porque pessoas que estavam no estabelecimento intervieram e ela recebeu atendimento médico imediato.Durante o ataque, dois funcionários que tentaram proteger Késsia também foram feridos. Uma funcionária sofreu um corte profundo no rosto, enquanto outro funcionário foi atingido por diversos golpes na cabeça, no pescoço e nos braços.
O Ministério Público sustentou que o crime foi planejado e motivado pela não aceitação do fim do relacionamento, caracterizando, segundo a acusação, um contexto de violência de gênero.Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu as provas e a tese apresentadas pelo MPSC e condenou o réu por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira e duas tentativas de homicídio contra os funcionários.
A tentativa de feminicídio foi reconhecida com qualificadoras como motivo fútil, motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de dissimulação e surpresa. As duas tentativas de homicídio também tiveram qualificadoras reconhecidas pelos jurados.
Além da pena de prisão, a sentença da 2ª Vara da Comarca de Rio Negrinho determinou o pagamento de R$ 80 mil à ex-companheira e R$ 60 mil para cada uma das demais vítimas, como reparação pelos danos causados.
A decisão manteve a prisão do condenado e negou o direito de recorrer em liberdade, determinando também a execução provisória da pena.
Familiares das vítimas acompanharam o julgamento. Após a sessão, Késsia afirmou que considerou o resultado positivo e declarou que “a justiça foi feita”. Ela também elogiou o trabalho realizado pelo Ministério Público durante a acusação.
Homem é condenado a 60 anos de prisão por tentativa de feminicídio contra ex-companheira em Rio Negrinho