“O que não dá mais, é ver o governo anunciar estudos que já existem"
O presidente da AFESPEV também criticou o que classificou como uma sequência de promessas não cumpridas ao longo dos últimos anos
Redação RWTV - Alto Vale

O presidente da Associação do Fórum Permanente Soluções das Cheias do Vale do Itajaí (AFESPEV), Higor Maciel Borges fez críticas a repetição de promessas por parte do poder público e cobrou medidas concretas para enfrentar o problema histórico das enchentes na região.
Higor afirmou que o Estado insiste em anunciar novos estudos para implantação de canais extravasores, mesmo já existindo levantamentos técnicos realizados entre 2014 e 2018. Segundo ele, a insistência em “recomeçar do zero” representa perda de tempo e dinheiro público.
“O que não dá mais é ver o governo anunciar estudos que já existem. Isso significa mais dois ou três anos perdidos enquanto a população continua sofrendo prejuízos”, destacou.
O presidente da AFESPEV também criticou o que classificou como uma sequência de promessas não cumpridas ao longo dos últimos anos. Para ele, a única obra efetivamente realizada foi a reforma de barragem de Ituporanga, impulsionada por exigência judicial, enquanto projetos estruturantes seguem travados, principalmente por entraves ambientais e burocráticos.
Higor defendeu a continuidade de projetos já iniciados, como o plano desenvolvido com apoio internacional (JICA), e reforçou a necessidade de união entre poder público e iniciativa privada, por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), para viabilizar obras de grande porte.
“A solução existe e já foi estudada. Falta decisão e continuidade. Não podemos aceitar que a cada governo tudo seja abandonado e refeito”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a falta de participação efetiva da sociedade civil nas decisões. O presidente cobrou espaço para que entidades técnicas e organizadas contribuam com conhecimento acumulado ao longo dos anos.
“A gente quer sentar à mesa, apresentar documentos e ajudar. Não estamos aqui para fazer política, mas para resolver um problema real que afeta milhares de famílias”, disse.
Higor também anunciou que irá encaminhar ofícios a diversos órgãos, incluindo Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público, Defesa Civil, Governo do Estado e prefeituras da região, buscando garantir que os projetos avancem de forma legal e efetiva.
Em um dos trechos mais contundentes, ele destacou a desigualdade de impacto das enchentes: “Quem perde é a população. Nenhum secretário ou governador perdeu dinheiro com enchente. Quem paga essa conta é o cidadão.”
Ao final, reforçou que seguirá mobilizado: “Vou continuar na luta. Isso é pela nossa região, pelo Alto Vale. Não podemos mais aceitar promessas sem resultado.”
A manifestação reacende o debate sobre a urgência de obras estruturantes contra cheias e pressiona autoridades por respostas concretas diante de um problema que se repete há décadas.



