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Março Azul reforça alerta sobre câncer de intestino, que registra mais de 45 mil casos por ano no Brasil
Em Santa Catarina, o cenário também é preocupante
Redação RWTV - Alto Vale

O câncer de intestino (colorretal) atinge mais de 45 mil pessoas no Brasil todos os anos e provoca cerca de 20 mil mortes anuais. A doença é mais comum em homens e mulheres acima dos 45 anos e apresenta alta letalidade, especialmente quando diagnosticada em estágio avançado. Em Santa Catarina, o cenário também é preocupante: o estado está entre os que apresentam maiores taxas de incidência no país.
O alerta foi reforçado pelos médicos especialistas do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), Nelson Silveira Cathcart Jr. e Vitor Hugo Fonseca de Jesus, convidados pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa para debater a campanha Março Azul 2026. A iniciativa busca mobilizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce da doença, considerada o segundo tipo de câncer mais comum no Brasil, atrás apenas do câncer de próstata entre os homens e do câncer de mama entre as mulheres.
O debate foi proposto pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT). Ele destacou o papel do Parlamento na disseminação de informações preventivas.
“Esta Comissão de Saúde tem atuado efetivamente na prevenção e na divulgação de campanhas como o Março Azul. O Parlamento é o fórum adequado para esses esclarecimentos, que serão amplamente repercutidos e podem salvar vidas”, afirmou.
Diagnóstico precoce pode elevar cura a 90%
O gastroenterologista Nelson Silveira, representante da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), apresentou dados preocupantes: cerca de 85% dos casos são diagnosticados em fase avançada.
“Falta conscientização da população para buscar a prevenção e realizar o diagnóstico precoce. O câncer de intestino é silencioso e tem alta mortalidade quando identificado tardiamente”, alertou.
Segundo ele, a colonoscopia é o principal exame para rastreamento e prevenção da doença. A recomendação é que homens e mulheres entre 45 e 70 anos realizem o exame preventivo.
“Quando diagnosticado precocemente, a chance de cura pode chegar a 90%. Quebrar a barreira do silêncio e realizar o rastreamento aumenta drasticamente as possibilidades de tratamento bem-sucedido”, ressaltou.
Fila para exames preocupa especialistas
O oncologista Vitor Hugo de Jesus acrescentou que o câncer colorretal é a segunda causa de morte por câncer em Santa Catarina. Ano passado, a doença matou mais de 900 catarinenses. Um dos principais desafios, segundo ele, é reduzir o tempo de espera para consultas e exames.
“Precisamos dar mais celeridade à fila do Cepon para a realização da colonoscopia, que atualmente pode levar de quatro a seis meses”, observou.
Os especialistas também destacaram que, em 2025, a campanha Março Azul impactou cerca de 84 milhões de pessoas em todo o país, ampliando a conscientização sobre a doença.
Março Azul é lei em Santa Catarina
Diante da relevância do tema, o Parlamento catarinense instituiu o Mês Março Azul, voltado à conscientização e prevenção do câncer de intestino. A iniciativa é de autoria do deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB) e foi consolidada na Lei nº 18.531/2022, que integra o calendário oficial de eventos do estado.
A legislação tem como objetivo fortalecer ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce, ampliando o alcance das informações e incentivando o rastreamento da doença.
Valquíria Guimarães
Agência AL


