Crise histórica atinge produtores de cebola: "pagando para trabalhar"
O preço pago ao agricultor chegou a cerca de R$ 0,75 por quilo, enquanto o custo médio de produção ultrapassa R$ 1,40
Redação RWTV - Alto Vale

Produtores de cebola em Santa Catarina enfrentam uma das piores crises econômicas já registradas no setor. O preço pago ao agricultor chegou a cerca de R$ 0,75 por quilo, enquanto o custo médio de produção ultrapassa R$ 1,40, gerando prejuízo direto e a sensação de que muitos estão “pagando para trabalhar”.
A queda acentuada nos valores é resultado, principalmente, do excesso de oferta no mercado nacional, impulsionado por safras expressivas em outros estados produtores. Mesmo com boa produtividade, os agricultores catarinenses não conseguem cobrir os custos com insumos, mão de obra, transporte e armazenagem.
A situação já provoca impactos significativos em municípios cuja economia depende fortemente da cultura da cebola. Em cidades como Ituporanga, reconhecida nacionalmente pela produção do hortifruti, produtores relatam dificuldades para manter a atividade e honrar compromissos financeiros. Em algumas localidades, administrações municipais decretaram situação de emergência econômica em razão das perdas acumuladas.
Com preços abaixo do custo, muitos agricultores optam por armazenar parte da produção à espera de uma possível recuperação do mercado, o que aumenta ainda mais as despesas. Outros avaliam reduzir ou até abandonar o plantio nas próximas safras, o que pode comprometer a renda de famílias, empregos sazonais e o comércio regional.
Entidades do setor e lideranças locais defendem medidas de apoio, como linhas de crédito, renegociação de dívidas e políticas públicas que ajudem a minimizar os prejuízos e garantir a permanência dos produtores no campo. Enquanto isso, a incerteza segue marcando o dia a dia de quem depende da cebola para sobreviver.


