“Até os médicos choraram”, conta irmã de menino de 12 anos morto por coronavírus no Vale

“Até os médicos choraram”, conta irmã de menino de 12 anos morto por coronavírus no Vale


— Ouvi que criança não pega coronavírus, mas discordo, olha o que aconteceu com o Samu. Tem gente que diz que é uma coisinha à toa, não é. Cuidem-se. 

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O pedido em tom de alerta é de Ramieri Miranda de Oliveira, 21, irmã da primeira criança a perder a vida por conta da Covid-19 no Vale do Itajaí. Samuel Miranda de Oliveira morreu na quinta-feira (6) em Gaspar, mas a confirmação da causa do óbito ocorreu neste domingo (9), quando o governo do Estado incluiu o nome do menino na lista dos mais de 1.500 mortos pelo vírus em Santa Catarina.

Contrariando todas as estatísticas, Samu, como era conhecido pela família e amigos, tinha 12 anos e nenhum problema de saúde. Nunca passou por uma internação e só precisava de ajuda médica quando aprontava as travessuras de criança. E foi uma delas que o levou a descobrir que estava contaminado.

Samuel procurou um posto de saúde na primeira semana de julho depois de se machucar andando de bicicleta. Ao fazer o curativo, comentou que não estava sentindo o cheiro dos alimentos e que sofria de dores de cabeça. O teste foi feito e a mãe do garoto foi chamada para levá-lo para casa.

— O resultado demorou uns 10 dias, ficou pronto em 16 de julho. Ficamos de quarentena, mas não passaram nenhum remédio para ele, ninguém acompanhou. Mesmo assim ele reagiu bem, ficou brincando com o cachorro, fazendo vara de pescar… — lembra a irmã.

Nascido em Minas Gerais, Samuel era o caçula de quatro irmãos e morava em Gaspar há sete anos. Recentemente, com a separação dos pais, dividia a residência com o pai e Ramieri. A mãe vive com outro filho de 16 anos.

O menino passou a fazer o isolamento e não demorou muito para o pai, de 47 anos, que é diabético e possui problemas renais, também atestar positivo. Ambos, porém, teriam se recuperado bem.    

Os dias passaram e no primeiro domingo deste mês (2) Samuel apresentou tontura, diarreia e vômito. Na segunda-feira (3) Ramieri foi com ele ao posto de saúde e recebeu alguns remédios para amenizar os sintomas. Na quarta-feira (5), reparou que o menino continuava com o mal-estar e falta de ar.

Pediu para ele trocar de roupa e seguiram para o hospital da cidade, o Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Cerca de cinco horas depois entrar na unidade, já na madrugada de quinta, em uma tentativa de entubação para o deslocamento até o Hospital Santo Antônio, em Blumenau, Samuel morreu.

— Minha mãe chegou quando começaram os procedimentos e conseguiu ver ele pela última vez. Ela disse: ‘reage, filho, que teu pai está vindo te buscar’. Nessa hora ele deu o último suspiro e ela desmaiou. Até os médicos choraram — conta Ramieri, ainda anestesiada com tudo que aconteceu.

Sem velório, o corpo do pequeno foi enterrado em um cemitério próximo ao bairro onde morava, o Bateias.

Criança responsável e alegre

Samuel é de uma família simples e dizia que queria trabalhar para ter o próprio dinheiro. Criativo, fez uma buzina na própria bicicleta e pedalava pelo bairro. O sonho era ter uma motoneta. Considerado um menino alegre, fazia amizade com facilidade. Na escola, nunca teve problemas. Estava ansioso para que o isolamento social terminasse para poder voltar às aulas presenciais.

Ajudava o pai a aplicar insulina para controle da diabetes, auxiliava o vizinho no que podia, cozinhava em casa e acompanhava a família nos cultos da igreja evangélica. Samuel parecia um adulto de tantas responsabilidades que assumia, mas era uma criança.

— Samuel era querido, brincalhão. É uma vida que…a gente sente muita saudade dele — comove-se a mãe, Maria dos Reis Miranda. 

Divertia-se inventando brincadeiras e passando o tempo com os animais. Ainda impactados com a perda, os parentes buscam respostas. É difícil aceitar que uma pessoa jovem, forte e com um futuro todo pela frente tenha perdido a batalha contra a Covid-19.

Quadro extremamente grave

O infectologista Ricardo Freitas, diretor técnico do hospital onde Samuel foi atendido, explica que o paciente chegou com uma lesão muito grande em um dos pulmões. A pneumonia severa provavelmente aconteceu depois que ele contraiu o coronavírus, por isso entrou como causa secundária da morte. 

Samuel precisou ser entubado às pressas, mas não resistiu ao procedimento. Ele seria encaminhado ao hospital de Blumenau para ter um tratamento mais especializado. 

A unidade de Gaspar tentará esclarecer nos próximos dias o que contribuiu para o avanço tão rápido do quadro, mas muitas perguntas devem ficar sem respostas, já que ainda há muito o que compreender em relação às consequências do coronavírus.

— Quem sabe se a lesão tivesse sido vista dez dias antes tivéssemos chances de reverter — lamenta o médico.

Estudos apontam o surgimento tardio de sequelas, mas normalmente elas têm relação com danos cerebrais. Mesmo assim, esses tipos de casos aguardam análises mais profundas da ciência. 

Conforme informações da assessoria da Secretaria Municipal da Saúde, Samuel recebeu os medicamentos protocolares quando fez o teste da Covid-19, no começo de julho. O exame não teria sido repetido no hospital.  

Fonte: NSC Total



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