Luto por Antônio Carlos.
Uma criança. Uma família.
Uma espera de quase 29 horas que terminou da forma mais dolorosa.
E agora, a história dele precisa virar um alerta.
Antônio tinha apenas 4 anos. Era autista.
Durante um almoço em família, ele saiu da residência onde estava com seus familiares.
Poucos minutos depois, começava uma busca que mobilizaria uma cidade inteira.
Antônio não saiu porque queria preocupar sua família.
Muitas crianças autistas não têm a mesma percepção de perigo que nós temos.
Elas podem se aproximar de situações de risco sem compreender a consequência daquele comportamento.
E isso tem uma explicação.
Por isso, a fuga e o risco com água são temas tão importantes no autismo.
Algumas crianças podem caminhar em direção a um rio, piscina ou outro local perigoso não porque entendem o risco e escolhem enfrentá-lo.
Mas porque aquele estímulo chamou sua atenção.
E o cérebro ainda não conseguiu interpretar aquilo como uma ameaça.
49% já tentaram fugir de um lugar seguro.
160x mais risco de morrer afogada.
71% das mortes por fuga acontecem na água. (Pediatrics, 2012 AJPH, 2017 National Autism Association)
E a mãe estava fazendo o almoço.
Não foi descuido. Foram dez minutos. É o tempo em que uma mulher sem rede tem que virar as costas.
Nenhuma família deveria precisar aprender isso depois de uma tragédia.
Conhecimento não muda o que aconteceu. Mas pode proteger outras crianças.
Porque muitas vezes, antes do perigo aparecer, existe apenas uma criança seguindo aquilo que chamou sua atenção.
Que o nome de Antônio não seja apagado
Que sua história não seja lembrada apenas pela dor. Mas pelo alerta que deixou para tantas famílias.
Que mais crianças sejam compreendidas. Que mais famílias conheçam esses riscos.
E que nenhuma outra família precise sentir essa mesma dor.
Texto: Dr. Thiago Castro (@dr.thiagocastro)