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DESTAQUES JUSTIÇA SANTA CATARINA

Operação Pão e Circo nasceu de delação que também levou à Operação Mensageiro; desde 2020, 30 prefeitos foram presos em SC

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A deflagração da Operação Pão e Circo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), na última terça-feira (7), mostra como uma investigação de corrupção pode desencadear diversas outras apurações envolvendo agentes públicos, empresários e prefeituras catarinenses.

A operação investiga um suposto esquema de fraude em licitações, direcionamento de contratos e reserva de mercado na contratação de shows e eventos municipais em 18 cidades de Santa Catarina e uma do Rio Grande do Sul. Entre os principais investigados está a empresa Spinelli Produções, do empresário José Clemir Spinelli.

Entre as medidas determinadas pela Justiça, o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado do cargo. Também é investigada a empresa DCX Eventos, ligada ao vereador Carlos Eduardo Cunha (MDB), de Indaial. As investigações seguem em andamento e todos os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

Delação premiada deu origem a novas operações

A origem da Operação Pão e Circo está na colaboração premiada do ex-secretário de Administração e Finanças de Canoinhas, Diogo Seidel, realizada durante a Operação Et Pater Filium.

Inicialmente, a investigação apurava fraudes em licitações de transporte escolar, pavimentação e aquisição de máquinas em Major Vieira. Durante a colaboração, Seidel apresentou documentos e relatou fatos que levaram o Gaeco a identificar outros possíveis esquemas de corrupção em municípios catarinenses.

Segundo o delator, vencer licitações para organização de eventos em determinadas cidades era “quase como ganhar na Mega-Sena” para empresas que não faziam parte do grupo investigado.

A análise do material entregue revelou contratos da antiga SP Eventos Ltda., empresa de José Clemir Spinelli, responsável pela realização da Festa Estadual da Erva-Mate (Fesmate), em Canoinhas, entre 2017 e 2019. A partir daí, o Gaeco ampliou as investigações para contratos firmados em outros municípios, chegando ao que hoje é a Operação Pão e Circo.

Operação Mensageiro também surgiu da mesma investigação

A colaboração de Diogo Seidel também serviu de base para a Operação Mensageiro, considerada uma das maiores investigações sobre corrupção municipal da história de Santa Catarina.

A operação resultou na prisão preventiva de dezenas de investigados, incluindo 17 prefeitos, além de empresários e servidores públicos, sob suspeita de participação em um esquema de fraude em contratos de coleta de lixo e pagamento de propinas.

Desde 2020, 30 prefeitos foram presos em Santa Catarina

Levantamento divulgado pela imprensa aponta que, desde a Operação Et Pater Filium, iniciada em 2020, 30 prefeitos catarinenses foram presos durante o exercício do mandato em diferentes operações policiais e do Ministério Público.

São eles:

  1. Major Vieira – Orildo Antônio Severgnini (MDB) – Operação Et Pater Filium;
  2. Bela Vista do Toldo – Adelmo Alberti (PSL) – Et Pater Filium;
  3. Canoinhas – Beto Passos (PSD) – Et Pater Filium;
  4. Pescaria Brava – Deyvisonn Souza (MDB) – Mensageiro;
  5. Papanduva – Luiz Henrique Saliba (PP) – Mensageiro;
  6. Balneário Barra do Sul – Antônio Rodrigues (PP) – Mensageiro;
  7. Itapoá – Marlon Neuber (PL) – Mensageiro;
  8. Lages – Antônio Ceron (PSD) – Mensageiro;
  9. Capivari de Baixo – Vicente Corrêa Costa (PL) – Mensageiro;
  10. Tubarão – Joares Ponticelli (PP) – Mensageiro;
  11. Corupá – Luiz Carlos Tamanini (MDB) – Mensageiro;
  12. Ibirama – Adriano Poffo (MDB) – Mensageiro;
  13. Major Vieira – Adilson Lisczkovski (Patriota) – Mensageiro;
  14. Massaranduba – Armindo Cesar Tassi (MDB) – Mensageiro;
  15. Imaruí – Patrick Corrêa (Republicanos) – Mensageiro;
  16. Três Barras – Luiz Shimoguri (PSD) – Mensageiro;
  17. Bela Vista do Toldo – Alfredo Dreher (Podemos) – Mensageiro;
  18. Schroeder – Felipe Voigt (MDB) – Mensageiro;
  19. Guaramirim – Luiz Antônio Chiodini (PP) – Mensageiro;
  20. São João do Itaperiú – Clézio Fortunato (MDB) – Mensageiro;
  21. Barra Velha – Douglas Elias Costa (PL) – Travessia;
  22. Ponte Alta do Norte – Ari Wollinger (PL) – Limpeza Urbana;
  23. Urussanga – Gustavo Cancellier (PP) – Terra Nostra;
  24. Ipuaçu – Clori Peroza (PT) – Fundraising;
  25. Cocal do Sul – Fernando de Fáveri (MDB) – Fundraising;
  26. Ipira – Marcelo Baldissera (PL) – Fundraising;
  27. Pinhalzinho – Mario Afonso Woitexem (PSDB) – Fundraising;
  28. Criciúma – Clésio Salvaro (PSD) – Caronte;
  29. Garopaba – Júnior de Abreu Bento (PP) – Coleta Seletiva;
  30. Balneário Piçarras – Tiago Baltt (MDB) – Regalo.

 

Fonte: NSC Total, Ministério Público de Santa Catarina (MPSC/Gaeco) e levantamento publicado pela coluna de Upiara Boschi/NSC.

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Jeferson Kniess

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