A tecnologia passa a integrar de forma cada vez mais estratégica as ações de resposta a desastres naturais em Rio do Sul. Uma parceria entre a Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SEADES), e estudantes do Instituto Federal Catarinense (IFC) está dando forma ao Projeto Acolher, que é uma plataforma digital criada para tornar mais eficiente a gestão das informações relacionadas ao atendimento de famílias atingidas por enchentes.
Idealizado pelas estudantes Ana Beatriz Kraemer Ferreira e Bianca Jussara Wolff, concluintes do curso Técnico em Informática para a Internet integrado ao Ensino Médio do IFC, com a colaboração do acadêmico Felipe Cauê Machado, do curso de Ciência da Computação, o sistema nasceu da necessidade de substituir o modelo atual de gerenciamento das informações, hoje realizado por meio de planilhas eletrônicas.
Durante períodos de enchente, por exemplo, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social coordena uma ampla rede de atendimento, envolvendo cadastro de famílias, controle de doações, organização de abrigos e prestação de contas. Embora eficiente para determinadas rotinas, o uso de planilhas apresenta limitações em cenários que exigem rapidez, acesso simultâneo às informações e atualização constante dos dados.
A nova plataforma pretende concentrar todas essas operações em um único ambiente digital. O sistema permitirá o cadastro de doadores, controle de itens recebidos, gestão dos pontos de arrecadação e distribuição, registro das famílias beneficiadas e emissão de relatórios gerenciais, oferecendo maior agilidade aos servidores e mais transparência à aplicação dos recursos e das doações recebidas pela comunidade.
Além da organização dos processos, o projeto foi concebido com foco na proteção das informações pessoais dos cidadãos. A arquitetura da plataforma segue princípios de segurança da informação e está sendo desenvolvida em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo maior confiabilidade ao armazenamento e ao tratamento dos dados.
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Maria Helena Zimmermann, destaca que a iniciativa representa um importante avanço para a estrutura de atendimento do município. “O Projeto Acolher demonstra como a integração entre o poder público e as instituições de ensino pode gerar soluções concretas para desafios vivenciados pela população. Estamos investindo em uma ferramenta que vai qualificar nosso atendimento, tornar os processos mais organizados e oferecer ainda mais transparência durante situações de emergência”, afirma.
Para Ana Beatriz Kraemer Ferreira, uma das idealizadoras do projeto, a proposta surgiu da vontade de aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula na solução de um problema real enfrentado pelo município. “Queremos que a tecnologia contribua para que a ajuda chegue de forma mais rápida e organizada às pessoas que realmente precisam. Desenvolver uma ferramenta com impacto direto na comunidade torna nossa formação muito mais significativa”, ressalta.
Bianca Jussara Wolff destaca que o projeto também fortalece a aproximação entre o ensino e o serviço público. “Essa experiência mostra que os estudantes podem participar ativamente da construção de soluções para a cidade. É uma oportunidade de transformar conhecimento técnico em benefício social e colaborar com políticas públicas que fazem diferença na vida das pessoas”, afirma.
O Projeto Acolher encontra-se atualmente na fase de validação dos protótipos junto à equipe técnica da Secretaria. Após a aprovação das interfaces e dos fluxos de funcionamento, terá início o desenvolvimento da versão definitiva da plataforma.
Como parte da implantação da estrutura tecnológica, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social já autorizou o início do processo administrativo para contratação do domínio que hospedará o sistema. A equipe técnica realizou estudos e levantamentos de custos, e o processo segue em fase de elaboração da documentação necessária para a futura contratação.
Embora tenha sido concebido para atender situações de enchentes, o sistema possui arquitetura modular, permitindo futuras adaptações para outras áreas da assistência social e diferentes políticas públicas. A expectativa é que a plataforma se consolide como uma ferramenta permanente de gestão, fortalecendo a capacidade de resposta do município e demonstrando como a inovação, aliada ao conhecimento produzido nas instituições públicas de ensino, pode gerar benefícios concretos para toda a comunidade.
Rodrigo Horst- Departamento de Comunicação – Prefeitura de Rio do Sul