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SANTA CATARINA

‘Arquivo secreto’ de separação ajuda GAECO a desvendar suposto esquema de propina na merenda escolar de Blumenau

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Uma pasta intitulada “separação”, encontrada durante a investigação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), tornou-se uma das principais provas no caso que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da merenda escolar em Blumenau.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o material armazenado em um Google Drive continha documentos, registros e conversas que revelavam informações sensíveis sobre o ex-secretário da Fazenda do município, César Domenico Poltronieri, investigado por participação no esquema.

Entre as provas analisadas está um áudio enviado pela ex-esposa do investigado, no qual ela ameaça divulgar documentos guardados na residência do casal. Em mensagens obtidas pelos investigadores, Poltronieri demonstra preocupação e admite que poderia perder o cargo caso o material viesse a público.

As discussões do casal também levantaram suspeitas sobre a existência de grandes quantias de dinheiro em espécie supostamente escondidas em casa. Para o Ministério Público, as conversas reforçam a hipótese de que os envolvidos utilizavam uma espécie de “contabilidade paralela” e mantinham valores fora do sistema bancário para dificultar a identificação das movimentações.

A descoberta do chamado “arquivo da separação” foi considerada um encontro fortuito que permitiu o aprofundamento das investigações, resultando em medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, além de buscas, apreensões e bloqueio de bens dos investigados.

A apuração integra a Operação Arbóreo, deflagrada em 7 de maio, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações e pagamento de propinas relacionadas ao fornecimento de alimentação escolar em Blumenau. Conforme o MPSC, entre junho de 2022 e fevereiro de 2024, agentes públicos e representantes da empresa contratada teriam movimentado cerca de R$ 3,6 milhões em propinas.

As investigações seguem em andamento, com análise de dados telemáticos, depoimentos e informações bancárias. Em nota, a Prefeitura de Blumenau informou que os contratos investigados foram firmados pela administração anterior, encerrada em 2024. Já a defesa do ex-secretário não havia se manifestado até a publicação das informações.

Ana Júlia Kamchen/ND Mais

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Jeferson Kniess

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