A disputa pela presidência estadual do MDB de Santa Catarina começa a expor divergências sobre os rumos da sigla. Enquanto o ex-governador Paulo Afonso Vieira demonstra preocupação com a aproximação do partido com o bolsonarismo, o também ex-governador Eduardo Pinho Moreira defende o deputado federal reeleito Rafael Pezenti como uma alternativa para conduzir a renovação partidária.
Paulo Afonso avalia que a aproximação com o bolsonarismo contribuiu para o enfraquecimento do MDB e pode provocar novas perdas eleitorais. Segundo ele, quando integrantes da sigla defendem o movimento, acabam fortalecendo outras candidaturas, como as de Júlia Zanatta e Zé Trovão. O ex-governador defende que o partido recupere suas bandeiras históricas, como democracia, diversidade e direitos fundamentais.
Pinho Moreira, por sua vez, considera Pezenti um nome interessante para assumir a presidência estadual. Ele destaca que o deputado manteve seu posicionamento político à direita, apoiou Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, mas respeitou a decisão do MDB catarinense e fez campanha para João Rodrigues (PSD). Para o ex-governador, essa postura demonstrou coerência.
Apesar de defender Pezenti, Pinho Moreira ressalta que o futuro presidente precisará respeitar as diferentes correntes internas do partido. Ele também cobra a participação de lideranças experientes que, segundo sua avaliação, foram afastadas das decisões partidárias. Entre os nomes mencionados estão Paulo Afonso Vieira e Neuto de Conto.
O ex-governador afirma que deseja participar da reorganização do MDB, mas condiciona sua disposição à independência política da sigla. Ele alertou que não pretende participar de um projeto de aproximação com o governador Jorginho Mello (PL). “Se se entregar para o Jorginho, eu fico em casa também, largo tudo. Precisamos construir o nosso caminho, com independência”, afirmou.
Pinho Moreira também defende que lideranças emedebistas que estiveram ao lado de Jorginho Mello sejam chamadas para conversar e participem da reconstrução, mas sem assumir a condução do partido. Entre os nomes citados está o deputado estadual Fernando Krelling. A proposta, segundo ele, passa pela recuperação das bases, valorização da experiência e abertura de espaço para novas lideranças.
SC em Pauta