Após uma rodada de negociações que avançou pela madrugada desta quinta-feira (17), a Caixa Econômica Federal apresentou uma nova proposta aos empregados em meio à greve nacional da categoria. O documento altera pontos que vinham gerando impasses, especialmente no Saúde Caixa, e será submetido à avaliação dos trabalhadores.
Uma das principais mudanças envolve o custeio do Saúde Caixa. A instituição propôs elevar, a partir de 2027, o limite de participação da empresa no financiamento do plano de 6,5% para 9% da folha de pagamento. O modelo solidário e o pacto intergeracional serão mantidos, sem diferenciação das mensalidades conforme a idade dos beneficiários.
Pela proposta, a partir de janeiro de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração-base. A mensalidade para dependentes diretos ficará em R$ 560, enquanto dependentes indiretos e filhos enquadrados nas regras do plano terão mensalidade de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais e mães que permanecerem vinculados ao plano, o valor será de R$ 900. O comprometimento da renda familiar com titular e dependentes diretos ficará limitado a 9%. A telemedicina continuará sem cobrança de coparticipação.
A Caixa também aceitou a destinação de pelo menos um empregado por Gerência de Pessoas (Gipes) e por Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuar exclusivamente nas demandas do Saúde Caixa. Além disso, será elaborado, em até 60 dias, um projeto para revisar a governança, a estrutura e a prestação de contas do plano, com avaliação de novas fontes de receita e de alternativas relacionadas à aposentadoria de empregados que ingressaram no banco a partir de 2018.
Mudanças no Super Caixa
A nova proposta prevê alterações no programa Super Caixa, com medidas que já poderão ser aplicadas no segundo semestre de 2026 e compromissos estruturais para 2027.
Entre os ajustes está a individualização dos indicadores de NS e CSAT. A habilitação dos empregados passará a considerar o NS individual, e não apenas o resultado da unidade, evitando que toda a agência seja penalizada por ocorrências relacionadas a um único trabalhador. O CSAT continuará sendo aplicado ao gestor-chefe da unidade, enquanto os demais empregados deixarão de ser avaliados individualmente por esse indicador.
A premiação pela habilitação inicial também será ampliada de 25% para 50% no segundo semestre de 2026. A Caixa se comprometeu ainda a acelerar a atualização das informações de vendas e resultados no painel do programa, com prazo de até cinco dias após o pagamento realizado pelo cliente, quando o registro imediato não for possível.
Uma comissão será criada para avaliar recursos e situações individuais. Para 2027, estão previstos estudos para a inclusão de novos produtos, revisão dos critérios de satisfação dos clientes e dos negócios sustentáveis, além de mudanças nas regras de gatilho e no escalonamento das premiações.
Atendimento híbrido, carreira e trabalho remoto
Em relação aos sistemas Figital e Genesys, a Caixa informou que não haverá penalização em 2026. Para 2027, o intervalo considerado no atendimento deverá passar de cinco para dez minutos. O indicador não será utilizado no Alcance.Caixa, e o projeto continuará em fase piloto.
A instituição também se comprometeu a discutir o modelo de atendimento com a representação dos empregados antes da definição das regras para 2027.
No âmbito da carreira, a Caixa anunciou a criação de espaços de diálogo sobre o Plano de Funções Gratificadas (PFG). Já o estudo para implantação de um piso salarial específico para os trabalhadores da área de Tecnologia da Informação foi incorporado ao trabalho realizado pela consultoria Deloitte.
O trabalho remoto também será incluído nas discussões do Grupo de Trabalho Trajetória, com previsão de reuniões específicas, cronograma e prazo para análise de possíveis melhorias no modelo atual.
Pagamentos e compensação dos dias de greve
A Caixa manteve a proposta de pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, em reconhecimento ao resultado do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026, atingido em junho. O valor será pago conforme as condições previstas no acordo.
O documento estabelece ainda que a paralisação realizada em 20 de agosto será abonada, sem desconto aos empregados. Já os dias úteis de greve em setembro deverão ser compensados no prazo de até 180 dias, contados a partir da aprovação da proposta pela categoria.
Os direitos previstos nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários serão mantidos. A proposta também prevê a preservação dos direitos dos empregados que atuam como caixa-minuto e tesoureiro por prazo.
Caso o acordo seja aprovado, o pagamento do reajuste salarial, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), dos valores do Super Caixa, do bônus e do prêmio de R$ 3 mil está previsto para 30 de setembro.
Empregados votarão a proposta na segunda-feira
A proposta será submetida à votação dos empregados e empregadas da Caixa na próxima segunda-feira (21), das 11h às 18h, por meio de assembleias realizadas pela plataforma de votação eletrônica dos sindicatos vinculados à Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC).
A confederação deverá divulgar pelos canais oficiais as orientações para a votação. A aprovação do acordo poderá definir os próximos passos da mobilização nacional da categoria.
Fonte: CONTEC.