A Terra Indígena Ibirama Laklãnõ, tradicionalmente ocupada pelo povo Xokleng, completa 100 anos desde sua criação oficial, em 26 de abril de 1926, no estado de Santa Catarina. O território está localizado na região do Alto Vale do Itajaí e faz fronteira com os municípios de José Boiteux, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e Itaiópolis, com cerca de 70% da área concentrada entre José Boiteux e Doutor Pedrinho.
A Terra Indígena foi criada por decreto do então governador catarinense Adolfo Konder, inicialmente denominada Posto Indígena Duque de Caxias, com área destinada de 20 mil hectares. Estudos técnicos posteriores apontam que a área tradicional do território Xokleng alcança aproximadamente 37 mil hectares. A demarcação oficial ocorreu em 1965, e em 1975 a área passou a se chamar Terra Indígena Ibirama Laklãnõ.
Os primeiros contatos considerados amistosos entre os Xokleng e representantes do então Serviço de Proteção aos Índios (SPI) ocorreram em 1914. Desde então, o grupo recebeu diversas denominações em registros oficiais e estudos acadêmicos, como “Bugres”, “Botocudos”, “Aweikoma”, “Xokleng”, “Xokrén”, “Kaingang de Santa Catarina” e “Aweikoma-Kaingang”. Essas variações estão relacionadas à proximidade linguístico-cultural com o povo Kaingang, ao desconhecimento da etno-história Xokleng e à baixa valorização da autodenominação indígena nos primeiros levantamentos etnográficos.
A primeira etnografia sobre o grupo foi publicada por Jules Henry, em 1941, que os classificou como Kaingang, embora tenha reconhecido diferenças linguísticas e culturais. Em 1978, o antropólogo Gregory Urban apontou que os Xokleng teriam se originado de dissidências internas dos Kaingang, considerando o termo “Xokleng” genérico. Atualmente, parte da população indígena utiliza a autodenominação Laklãnõ, que significa “gente do sol” ou “gente ligeira”.
O território está inserido em área de floresta subtropical, ao longo dos rios Hercílio (antigo Itajaí do Norte) e Plate, integrantes da bacia do rio Itajaí-Açu. Até a década de 1960, a região apresentava abundância de palmito, praticamente extinto após exploração predatória. A partir dos anos 1970, a floresta nativa passou a ser explorada por madeireiras, com autorização da Funai, resultando no esgotamento das reservas de madeira em meados da década de 1980.

Outra alteração estrutural ocorreu com a construção da Barragem Norte, a partir da década de 1970, destinada à contenção de cheias no Baixo Vale do Itajaí. O reservatório formado inundou cerca de 900 hectares das áreas mais planas e agricultáveis da Terra Indígena, provocando o deslocamento das famílias para regiões mais altas. O processo de indenização pelas áreas alagadas segue sem conclusão, assim como parte das obras de infraestrutura prometidas à comunidade.
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, a população indígena da etnia Xokleng no Alto Vale do Itajaí, residem aproximadamente 1.400 indígenas, com destaque para o município de José Boiteux, que registrou 1.434 indígenas, sendo 1.296 residentes dentro da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng.
Ainda segundo o IBGE, o município de Vitor Meireles contabilizou 486 pessoas indígenas no Censo 2022. No recorte territorial, José Boiteux possui oito localidades indígenas, enquanto Vitor Meireles conta com três.